Katia Valeria Maciel Toledo (Rio de Janeiro RJ 1963). Artista, pesquisadora e professora. Leciona na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro onde coordena, com André Parente, o Núcleo de Tecnologia da Imagem (N-Imagem). Atuando na interface entre artes visuais, cinema e novas tecnologias, realiza, desde os anos 1990, filmes, vídeos, vídeo-instalações e instalações interativas.Aliando a pesquisa com dispositivos interativos e imagem em movimento as temáticas que versam sobre as relações amorosas e seus clichês, paisagens íntimas, urbanas e musicais, Katia Maciel tem participado de exposições individuais e coletivas no Brasil, na França, na Inglaterra, na Alemanha, no México e na China.
Vencedora dos prêmios Sérgio Motta de Arte e Tecnologia (2005), Petrobrás (2003) e Itaú Cultural (2002), Katia Maciel realiza, entre 2001 e 2002, pós-doutorado em artes interativas na Universidade de Walles (Inglaterra), desenvolvendo o projeto Um, Nenhum e Cem Mil. Apresentado no Rumos Itaú Cultural, Emoção Art.ficial/Itaú Cultural (2003 e 2004) e no FILE (2003), o projeto é um dos primeiros a incorporar o conceito de Transcinema, desenvolvido pela artista.
Publica uma série de livros e artigos sobre estética, teoria do cinema e arte midiática, dentre eles Transcinema (Contracapa, 2008), Redes Sensoriais (em parceria com André Parente, Contracapa, 2003) e O Pensamento de cinema no Brasil (2000).
IMPORTÂNCIA DE SUA OBRA
Uma das principais discussões da produção artística que se situa na interface com as novas tecnologias é a inclusão do observador na construção da imagem. Artistas contemporâneos têm se interessado pela pesquisa com novas modalidades do audiovisual a partir da criação de dispositivos que rompem com a narrativa linear do cinema tradicional.
Para Katia Maciel, esse tipo de estratégia é o que ela denomina de Transcinema: “uma imagem pensada para gerar ou criar uma nova construção de espaço- tempo cinematográfico em que a presença do participador ativa a trama que se desenvolve. Uma imagem em metamorfose que pode se atualizar em projeção múltipla, em ambientes interativos e imersivos”.
Pode-se dizer que transcinema é não somente um conceito desenvolvido pela artista, como também o conceito que define grande parte dos trabalhos de Katia Maciel.
Desde seu primeiro vídeo, intitulado O Banho (1993), realizado a partir das impressões das cores e movimentos dos pastéis da série de mulheres no banho do artista impressionista Edgar Degas, passando pelos curta-metragens A Fila, Na estrada e Sentinela (1993), até seus projetos mais recentes, como o vídeo Entorno (2007) e a instalação interativa Ondas: um dia de nuvens listradas vindas do mar (2006), a artista vem pesquisando novas modalidades de construção da experiência com a imagem em movimento.
O seu interesse pelo cinema, tanto do ponto de vista teórico, histórico, quanto do ponto de vista da linguagem, data dos anos 80, quando a artista realiza uma série de disciplinas eletivas no curso de cinema na mesma época em que fazia graduação em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Nos anos 90, realiza mestrado em Paris (École dês Hautes Études em Sciences Sociales) sobre o filme como documento histórico, e entre os anos de 1994 e 1997 realiza doutorado, com orientação de André Parente, Jean Baudrillard e Rogério Luz, sobre o pensamento de cinema no Brasil, na Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
A partir de 2002, quando vai para a Inglaterra fazer seu pós-doutorado, a artista se aprofunda em pesquisas que pudessem romper com o modelo narrativo e representativo do cinema. Nessa época, desenvolve, dialogando com o conceito de rosticidade, de Gilles Deleuze e Félix Guattari, Um, Nenhum e Cem Mil, um dos primeiros projetos multimídia da artista que aponta para a idéia de um cinema que transborda, que vai além de sua forma, fazendo-se a partir do diálogo com o observador.
O projeto, já apresentado em formato dvd e instalação interativa, possibilita ao espectador fazer a escolha de dois rostos para a montagem de diálogos aleatórios, tendo por base repertórios de frases e falas clichês da relação amorosa. A proposta, que partiu da leitura pela artista do livro Um, Nenhum e Cem mil, de Luigi Pirandello, é gerar diferentes sentidos a partir da repetição de frases sem sentido conectadas randomicamente. Exposto várias vezes em São Paulo e no Rio de Janeiro e traduzido em 3 línguas, o projeto coloca em debate o recurso de campo e contracampo utilizado pela linguagem cinematográfica para construir a continuidade da narrativa.
Em Na Estrada (2004), instalação interativa em que são projetadas sequências em loop de um casal em uma estrada, em Ginga Eletrônica (2004), em que uma roda de capoeira se projeta em cinco telas e em Mantenha Distância (2004), percebe-se, apesar das diferenças em relação à montagem e aos dispositivos desenvolvidos, uma “situação cinema” que rompe com a narrativa linear, colocando em cena uma estética do tempo real que reclama pela participação do observador.
Importante destacar que a preocupação com um campo de investigação em que o corpo e a relação sensória com a obra de arte são eixos fundamentais, já se faz presente na pesquisa de Katia Maciel desde o seu envolvimento com vertentes mais experimentais da arte brasileira.
Nos anos 90, a artista desenvolve vídeos e projetos multimídia sobre Hélio Oiticica e os neoconcretos, como o cd-rom H.O. Supra Sensorial (1998) e o vídeo documentário Neoconcretos (2001). Esses projetos revelam, em primeiro lugar, um interesse pela pesquisa com um campo das artes visuais que, nos anos 60, procurou, dentro de uma perspectiva fenomenológica, superar a dicotomia sujeito/objeto. Em segundo, como é o caso dos projetos de Hélio Oiticica, ir além da idéia do cinema como representação, oferecendo a possibilidade de vivência em relação à obra de arte.
OBRAS:
| Círculo Vicioso. |
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| À Sombra |
Constituída por seis projeções de vídeo, divididas em jardim (nas quatro paredes), céu (no teto) e areia (no piso). Todas as imagens são capturadas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. O visitante, ao sentar-se no banco próximo à projeção da parede do fundo, aciona, por meio de sensores de presença, a imagem de uma sombra. O som é uma edição do ruído de folhas secas.


Katia Machel é uma artista multimidia, interessante saber que suas obras são geralmente interativas, que precisam da participação das pessoas para acontecer, interessante saber que ela é uma pesquisadora contínua, acho que isso se dar pelo fato dela ser também professora.
ResponderExcluirMuito legal saber que o primeiro video que ela fez o banho, foi feito a partir das impressões da obra mulheres no banho, do artista Edgar Degas.
Um trabalho fantástico , idéias e sentimentos expostos em instalações sempre precisando da interação obra e espectador para que ela realmente se concretize.
ResponderExcluirRenata Sanches
Muito bom a artista querer a inclusão do observador na construção da imagem.
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